ADOLESCENCE / Teen-age
Marlise Pozzatti
Modifié le December 6, 2006
Par gg
Adolescence, subst. fém. en français fin du XIIIe siècle, du latin adolescentia : « jeune âge, jeunesse », du verbe adolescere: « croître , grandir, se fortifier ».
ÉTUDE SÉMANTIQUE / Definitions (JMG°
1. (Physiologiquement). Partie de la vie humaine, comprise entre les premiers signes de la puberté au terme de l’enfance (vers 12 ans chez les filles et 14 ans chez les garçons) et le moment où le corps cesse de croître ayant acquis sa perfection physique.
2. (Psychologiquement). Développement mental de la personne lié de façon aléatoire au processus de croissance du corps, et généralement défini par le terme de puberté.
3. Récit d’adolescence: Catégorie d´œuvres qui relatent la quête de soi-même du narrateur-personnage au travers des expériences vécues spécifiquement dans l’entre-deux qui caractérise l’âge de la croissance du corps et l’apprentissage des choses de la vie.
Le narrateur adulte accomplit un itinéraire de retour aux origines pour retrouver un passé perdu ou se débarasser de «fantasmes» du passé. Ce «voyage » spirituel peut aboutir à un échec, à une initiation partielle au monde des adultes ou, peut-être, se sublimer dans un «mythe de l´adolescence». Dans Problèmes de l’Adolescence (Paris : Payot, 1970, p.6), Hélène Deutch écrit : « La littérature concernant les problèmes psychologiques de l’adolescence s’est considérablement accrue au cours de la dernière décade, et elle suit deux courants de tendance fondamentalement différente : l’une met l’accent sur l’aspect le plus individuel du problème comme en psychanalyse; l’autre considère l’individu adolescent comme un membre de la société dont les actes, les problèmes et même les aspirations sont les résultantes de forces qui ont leur origines dans les développements sociaux».
ÂGE/Age, ALTÉRITÉ/Otherness, ANAMNÈSE/Anamnesis; Remembering, APPRENTISSAGE/Apprenticeship, AUTOBIOGRAPHIE/Autobiography, AVENTURE/Adventure,
BILDUNGSROMAN,
Campus novel, CORPS/Body, CONFESSION/Confession,
DÉVELOPPEMENT/Development, DIFFÉRENCE; DIFFÉRANCE, DOUBLE/Double,
ÉCRITURE/Writing, ÉDUCATION/Education, ÉMERGENCE/Emergence ENFANCE/Childhood, ENFANT, ENFANTIN/Children’s literature, ENTRE-DEUX/In-betweenness; Borderline, ERZIEHUNGSROMAN, ESPACE/Space, EXPÉRIENCE/Experience; Experiment,
FORMATION/Formation/Training; Education,
HÉROS/Hero,
IDENTITÉ/Identity,ITINÉRAIRE/Itinerary; Route; Path,
JEUNESSE/Juvenile literature,
LIMINALITÉ/Liminality,
MÉMOIRES/Memoirs, MÉTAMORPHOSE/Metamorphosis,
ORIGINE/Origin,
PASSAGE/Passage; Crossing, PREMIÈRE PERSONNE/First person,
QUÊTE/Quest narrative,
RETOUR/Return, ROMAN/Novel, ROMAN DE FORMATION/Novel of educational formation,
TÉMOIGNAGE/Testimony; Personnal experience narrative,
VOYAGE/Travel literature.
NOMENCLATURES / Families of terms
CATÉGORIES GÉNÉRIQUES / Literary kinds,
INITIATION/Initiation literature,
MÉMOIRE/Remembrance,
TEMPORALITĖ/Time structure.
MOTS-CLÉS
Absence, Adolescence, Altérité, Apprentissage, Autobiographie, Autre, Aventure,
Depasser, Désir, Différance, Différence, Double,
Écriture, Enfant, Entre-Deux, Épreuve, Espace, Espoir,
Héros,
Identité, Initition, Intérieur, Itinéraire,
Jeunesse,
Mémoire, Même, Mythe, Moi,
Origine, Opposition,
Passage, Personnage, Possibilité,
Quête,
Recherche, Récit, Retrospective, Rite, Roman,
Savoir, Soi, Société, Structure,
Temps, Totalité,
Voyage.
Keywords
(Anti-Hero), Apprenticeship, Absence, Adventure,
Desire, Hero,
Initiation, Interieure, Itineraire,
Jeunesse,
Myth,
Novel,
Passage, Prospection,
Quest narrative,
Recherche, Recit,Rite, Retrospection,
Space, Structure, Savoir,
Teen-age, teenager.
ÉQUIVALENTS / Correspondences
Allemand / German : Adoleszenz, Jugendalter.
Anglais / English : adolescence.
Espagnol / Spanish : adolescencia.
Français / French : adolescence.
Grec / Greek :
Italien / Italian : adolescènza.
Hébreu / Hebrew :
Néerlandais / Dutch :
Portugais / Portuguese : adolescência.
Roumain / Roumanian : adolecenţă.
Russe / Russian : отрочество otročestvo, юношеский возраст yunošeskiy vozrast.
Le roman d’adolescence comme genre (MP)
[à traduire en français ou en anglais]
A escritura da narrativa de adolescência se apresenta, em geral, em primeira pessoa e o discurso contém palavras específicas que remetem exclusivamente à “passagem” pela adolescência (ou juventude). O termo passagem alude a uma fase da vida humana impossível de ser precisada em obras literárias. No desenvolvimento desta, o retorno ao passado é realizado através da memória (tempo psicológico) como quête d´identité do narrador-personagem.
No início das obras que apresentam narrativa de adolescência, o herói apresenta uma aventura interiorizada que se opõe ao das narrativas épicas, passando, em seguida, para a “quête de soi-même”, ocorrendo também “passagens de iniciação” de puberdade social que o conduzem da infância para a adolescência
A narrativa de adolescência contém aspectos da vida do autor. Porém, não pode ser confundida com uma autobiografia, que é uma narrativa retrospectiva em prosa que uma pessoa faz de sua própria existência, quando dá ênfase à sua vida individual, em particular, sobre a história da sua personalidade. É o fruto da idade madura e é freqüentemente escrito por pessoas já conhecidas do público. Ela pode ser considerada pelos escritores como o coroamento de uma obra e é também escrita em primeira pessoa.
A abertura da narrativa de adolescência se apresenta através do mundo da reivindicação e do desejo de verdade. Ocorre a passagem do herói da infância para a adolescência. Ele não é nem criança e nem adulto, mas carrega consigo o desejo de verdade que é uma característica da infância.
No itinerário da narrativa, a aprendizagem ocorre em torno de uma série de provas e de aventuras em que a “quête de soi-même” e dos valores do herói estão presentes. Nesse caminho, há a presença constante de uma “imagem” (masculina ou feminina) que se torna inseparável do adolescente durante e após a passagem pela adolescência.
A linguagem de que se valem os autores para escreverem um romance de adolescência não pode ser considerada como iniciatória. Pelo fato de que o autor que retorna a essa época da vida não tem outro guia a não ser ele próprio. Ele fabrica um guia para ele mesmo - herói adolescente ( o narrador ), que projeta o seu duplo. É a “différance” entre o “mesmo” e o “outro” que compreende um tempo concebido como irreversível para o narrador adulto.
A narrativa e o espaço seguem uma mesma evolução e apresentam-se de duas maneiras: o espaço descrito pelo narrador que situa o ambiente onde todos os fatos acontecem e aquele percebido pelo herói (ou heroína) adolescente. Os dois emitem a sensação de nostalgia que faz renascer os «fantasmas » do passado e o sentimento da irreversibilidade do tempo.
A narrativa de adolescência apresenta praticamente os mesmos lugares: casa, escola, colégio, lugares perto da natureza que são freqüentemente “austeros”. Nestes locais, encontram-se outros adolescentes. Ali, sofre-se, entra-se em contato com os adultos indiferentes ou autoritários. A descrição do ambiente se apresenta sombria, fria, pouco agradável, quase sem beleza.
No discurso de adolescência, determinados espaços não são descritos com precisão. O autor, intencionalmente deixa-os ou até mesmo oculta-os.
A escritura desses textos (adolescência), em sua grande maioria, coloca em questão o “adolescente” que é uma figura da origem. O narrador-personagem está em “quête” de lugar em um espaço inexistente que se manifesta por meio de uma seqüência de provas. O narrador deve suportar o espaço entre o “mesmo” e o “outro” para enfrentar as provas da origem, retornando desta.
Para que se possa ter uma visão mais clara sobre a narrativa de adolescência, passa-se a exemplificar o início, o desenvolvimento e o fim desse itinerário em obras que a contêm.
No início do itinerário, o herói deseja conquistar o mundo. Na obra Die Verwirrungen Des Zörlings Törless de Musil, a personagem Törless deseja entrar no colégio e está repleta de sonhos. Não há interferência dos pais. Em Le Grand Meaulnes, François une-se a Meaulnes, pois este simboliza o seu desejo de aventura. Meaulnes é comparado a “un conducteur de char romain.”(p.28) No romance Don Segundo Sombra, Fábio foge da casa das tias para acompanhar o “resero” Don Segundo Sombra, que é uma figura misteriosa. Percebe-se que, na narrativa de adolescência, o herói carrega consigo o “désir” representado por uma aventura interiorizada que o impulsiona a seguir um caminho.
No início do itinerário, aparece também a casa da infância (o tempo de onde se vem) onde se vê nascer o “désir” de partir e os primeiros esforços para fazê-lo. Como por exemplo: a casa de François Seurel, muito bem descrita na abertura do romance. Casa lembrada por Törless junto à imagem materna. Casa das tias, em que Fábio viveu uma parte da sua infância e que ele chama “mí prision”. Essas casas são lugares perdidos para sempre, que acolheram a passagem da infância para a adolescência.
Os autores dessas narrativas abrigam o herói adolescente em diferentes espaços quase sempre austeros, monótonos e quase sombrios. Estes são dados a representação da sociedade dos adultos que vai de encontro à dos adolescente. O“Cours Supérieur de Sainte-Agathe” é frio e nostálgico. Robert Musil coloca seu herói em um “colégio interno” sustentado por uma estrutura rígida. Güiraldes escolhe para seu herói “la pampa” onde a mudança de estação confere ao espaço um ambiente freqüentemente frio e inconfortável.
Na linguagem de certas narrativas de adolescência, percebe-se que o narrador ultrapassa determinados obstáculos em busca de sua identidade em diferentes espaços. É o que ocorre em Die Verwirrungen Des Zögligs Törless de Musil em que o herói consegue desvenciliar-se da confusão interior encontrando uma força estável na metamoforse do espaço: “...quand tout cela serait mis en ordre, exposé terme à terme, la structure de l´oeuvre apparaîtrait d´elle même... comme on voit parfois la forme d´un contour se dégager de la confusion de mille courbes entrecroisées.”(p.147) No final da narrativa, a transformação parcial de Törless se concretiza porque ele consegue ultrapassar “les digressions, le rêve, la confusion de la conscience, ....”(p.76)
Por outro lado, há a narrativa que se desvia totalmente da possibilidade de um trajeto iniciático como Le Grand Meaulnes d´Alain-Fournier que apresenta: “l´échec de jeunes garçons pour trouver leur identité, qui se voient repoussés vers leur enfance, et ne rencontrent que la mort.” (pág.136) O narrador não consegue reconstruir seu verdadeiro “Eu”, embora, na abertura da obra, ocorram “passagens iniciatórias”.
Assim sendo, há aspectos, na narrativa de adolescência, os quais não proporcionam uma total iniciação da narrativa. Na escritura da obra La Confusion des Sentiments, Stefan Zweig desmitifica a imagem da personagem feminina, fato que não ocorre no “romance de iniciação”: “ il n´y a pas d´image féminine porteuse de valeurs, source d´élévation et de bonheur comme on en rencontre dans tous les récit traditionnels d´initiation.” (pág. 164)
A linguagem da narrativa de adolescência intercala “passagens de iniciação”, não permitindo, portanto, interpretar uma total realização da “quête de soi-même” do narrador-personagem. Determinadas obras apresentam iniciação na abertura ou no desenvolvimento. No desfecho da obra (retorno da origem), o narrador deixa em aberto a possibilidade de “esperança”. Em “Le Grand Meaulnes” , Meaulnes enrola sua filha em um grande “manteau” e parte para novas aventuras. Fica evidente a esperança de uma nova vida. No romance de Musil, o narrador faz alusão ao “ventre fecundo” como esperança de um total renascimento interior. Em Don Segundo Sombra, a partida de Don Segundo indica uma projeção futura. Portanto, a linguagem das narrativas de adolescência é dada à representação de uma possível reconstrução do “Eu”.
Marlise Pozzatti
Universidade Luterana do Brasil
BIBLIOGRAPHIE / References
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Penot, Bernard. – Mais Tarde... é agora! (Ensaios sobre a adolescência) organizado por : Corrêa,
Ravoux-Rallo, Elisabeth.– Images de l´Adolescence (dans quelques récits du XXème siècle).– Paris: José Corti, 1989.
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Winnicott, D. W.– Jeu et réalité (l´espace potentiel). – Paris : Gallimard, 1975, pour la traduction française. Título original : Playing and reality, 1971. Traduit de l´anglais par Claude Monod et J.-B. Pontalis.